Você já ouviu falar em Doenças Financeiras?

Estranho não é mesmo? Mas existe.

É para muitos de nós algo desconhecido. Durante alguns dias a partir de hoje, vou trazer mais informações sobre esse assunto que fica meio que “invisível

 O que desencadeia uma doença financeira?

Com exceção daqueles eventos imprevisíveis e incontroláveis que já mencionamos, as demais causas de problemas financeiros são decorrência de nosso comportamento e de nossas atitudes.

Você vai conhecer as 6 principais causas de doenças financeiras.

Desequilíbrio Financeiro

O responsável primário pelo endividamento é o desequilíbrio. Os instrumentos de crédito são as ferramentas por meio das quais o desequilíbrio financeiro se manifesta, e as dívidas são a consequência (ou o sintoma).

O equilíbrio financeiro (que seria o estado saudável) é apenas e meramente uma relação neutra entre o dinheiro que entra e o que sai. Isso não envolve matemática avançada, mas sim conhecimentos básicos em finanças.

A maioria dos problemas financeiros da humanidade sumiria de uma hora para a outra se as pessoas passassem a observar e seguir uma única regra em suas vidas: viver conforme suas possibilidades.

Entretanto, o que mais vemos são pessoas extrapolando seus limites financeiros e, pior, muitas sequer têm noção disso.

Desequilíbrio financeiro causa desnutrição financeira, que causa perda de reservas financeiras e, posteriormente, endividamento. É a consequência objetiva e mensurável que conseguimos enxergar em nosso extrato bancário e em nossas contas.

Existem ainda outras consequências mais difíceis de mensurar, porém igualmente danosas, como o estresse e os diversos problemas de saúde, familiares, profissionais e outros associados ao desequilíbrio e às dívidas.

Como falamos anteriormente, o equilíbrio financeiro é uma relação entre o dinheiro que entra e o que sai. Então, o que produz o desequilíbrio financeiro, objetivamente falando, são apenas duas coisas: ou se está gastando demais ou ganhando de menos (ou as duas coisas simultaneamente).

O endividamento das pessoas físicas (a consequência visível da desnutrição financeira) é um problema crescente graças, entre outras coisas, à popularização de instrumentos financeiros como o cartão de crédito e o cheque especial.

O endividamento é hoje a maior fonte de estresse financeiro no Brasil, na frente inclusive do medo do desemprego, que historicamente é o fator financeiro que tira o sono dos brasileiros. Muitas pessoas estão penduradas em financiamentos e no limite rotativo do cartão de crédito.

Nesse ponto, é importante deixar claro que esses instrumentos de crédito, como cartão de crédito, cheque especial, crédito ao consumidor ou outras modalidades de financiamento, não são os verdadeiros responsáveis pelas dívidas e pelo descontrole – são apenas ferramentas que estão sendo usadas de maneira, às vezes, irresponsável.

 

 

O IMEDIATISMO

O imediatismo tem duas manifestações. A primeira é no consumo, quando a pessoa quer comprar agora, não pode esperar nem um pouco mais. Viver o aqui e o agora é uma ideia tentadora, até romântica.

O mundo do marketing e da publicidade explora isso de maneira muito agressiva tentando, a todo tempo, nos persuadir a comprar as coisas imediatamente, usando chamadas tentadoras como “você merece”, “dê a você mesmo este prazer” e por aí vai.

A segunda manifestação é na acumulação de recursos, seja para ter uma reserva de emergência, para investir ou para se preparar para a aposentadoria. Pessoas imediatistas sofrem de algo que os psicólogos chamam de desconto intertemporal, que é a tendência que temos de dar excessiva importância para o curto prazo e ver as coisas de longo prazo como se estivessem na eternidade.

Um caso clássico de desconto intertemporal é o velho e bom conflito entre o bolo de chocolate e o corpinho sarado no verão. O que é melhor? O prazer imediato (porém passageiro) do bolo ou o de ser mais saudável? Muita gente pensa “Bem, eu posso comer o bolo agora, pois ainda falta muito tempo para o verão e dá tempo de se preparar”. O problema é que um dia o verão chega.

O mesmo raciocínio vale para investimentos e aposentadoria. Muita gente prioriza o prazer de curto prazo (“Vou fazer aquela viagem ou comprar um carro novo a prestações AGORA”) e negligência o longo prazo (“Posso começar a guardar dinheiro no ano que vem, ainda tenho muito tempo pela frente”). Um dia, porém, o longo prazo se torna curto, e aí vem o pânico e a sensação de ter de correr para sanar o prejuízo.

Aqui entre nós, existe coisa mais inútil do que planejar o futuro? Nós sequer sabemos se estaremos vivos nos próximos cinco minutos, que sentido faz esquematizar os próximos cinco anos e deixar de curtir a vida aqui e agora?

A lógica desse pensamento é perfeita – não temos nenhum controle sobre o futuro, portanto fazer planos é exercício inútil e perda de tempo. Contudo, a prática (também a ciência) mostra que pessoas que têm uma visão de longo prazo, ainda que imperfeita e imprecisa, acabam tendo um desempenho melhor que as pessoas que estão concentradas no curto prazo.

Em 2012, o Teste do Marshmallow voltou a ser bastante mencionado na mídia não só pelos quarenta anos da experiência, mas também porque alguns pesquisadores começaram a questionar a validade dos resultados e a consistência da metodologia do teste, apesar de a correlação entre a capacidade de resistir às tentações no curto prazo e o sucesso na vida ser indiscutivelmente forte.

De qualquer forma, é uma evidência válida de que pessoas que conseguem pensar lá na frente acabem se dando melhor.

É verdade que os planos não são perfeitos. Afinal, muitas vezes na vida planejamos algo e o resultado não foi o desejado originalmente. Entretanto, isso não tira a importância de planejar a vida, em especial o lado financeiro.

Os planos não são escritos na pedra, são dinâmicos, mudam e são adaptados com o tempo. Eles não servem para prever o futuro, e sim para nos dar um rumo, um caminho. Um planejamento é também uma maneira de nos conhecermos e, no caso de um planejamento financeiro, de conhecer nossas contas, nossos ganhos e nossos padrões de gastos.

Pessoas que não planejam e que não conseguem pensar no longo prazo acabam gastando demais, adquirindo coisas sem ter os meios para pagar e não fazendo os investimentos profissionais (que geralmente são de prazo maior) para ter uma boa renda.

O imediatismo pode levar ao desequilíbrio financeiro (ou agravá-lo), o que conduz à desnutrição financeira. O imediatismo é também um dos responsáveis pela anemia financeira e o principal causador de outras doenças, como a miopia financeira e a diarreia financeira.

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